Seminário
Quem pode ser mãe? O pacto da branquitude no quotidiano da saúde reprodutiva
23 de janeiro de 2026, 15h00
Sala 2, CES | Alta
A branquitude, tal como problematizada por Cida Bento (2022), constitui um sistema de privilégios historicamente construído no contexto colonial e continuamente actualizado, que concentra acesso, reconhecimento e poder em torno da norma branca. O racismo estrutura-se a partir da branquitude e, simultaneamente, é por ela reproduzido, formando uma engrenagem de desigualdade que atravessa os diversos domínios da vida social.
No campo da saúde, esta lógica manifesta-se de forma particularmente violenta, incidindo de modo desigual sobre a saúde materna das mulheres negras. O racismo obstétrico configura-se como uma expressão específica da interseção da violência obstétrico com o racismo institucional, sustentadas por hierarquias que intervém em práticas de cuidado, decisões clínicas e reconhecimento da dor e da autonomia reprodutiva ao longo do período gravídico-puerperal. Esse debate propõe uma reflexão crítica sobre a branquitude enquanto estrutura histórica e contemporânea de poder, analisando a forma como os privilégios brancos operam de modo quotidiano e frequentemente silencioso na organização dos sistemas de saúde.
Serão debatidos os conceitos de pacto da branquitude e racismo obstétrico, bem como os seus impactos na saúde reprodutiva das mulheres negras no Brasil e em Portugal, a partir de casos reais e quotidianos, com o objectivo de questionar as bases racistas que ainda estruturam as políticas e práticas de saúde e de contribuir para a construção de um cuidado em saúde gravídico-puerperal justo, digno e equitativo.
Intervenientes | Silvia Maeso (CES), Carolina Magalhães Heringer (IFF/Fiocruz), Karla Costa (SAMANE - Associação Saúde Das Mães Negras), Laura Brito, Patrícia Branco (CES)
Atividade organizada por Patrícia Branco e Laura Brito, e pela doutoranda visitante Carolina Magalhães Heringer, contando com a participação e colaboração de Sílvia Maeso e Karla Costa.

