Teses Defendidas

UPROOTED. An Ecofeminist Reading of Land Grabbing as Environmental Injustice, Insights from Romania

Hestia Delibas

Data de Defesa
14 de Julho de 2026
Programa de Doutoramento
Democracia no Século XXI
Orientação
Irina Velicu
Resumo
Esta tese examina o fenómeno da apropriação de terra na Roménia pós-socialista, um país que emergiu como um dos principais locais com apropriação de terra na Europa, mas que permanece amplamente negligenciado nos debates globais sobre o tema. A literatura existente tem abordado a apropriação de terra sobretudo através de uma lente produtivista, centrada nas dinâmicas de acumulação de capital, porém, pouca atenção a como a erosão dos meios de subsistência rurais e a marginalização do trabalho rural (reprodutivo) tornaram a terra vulnerável à mercantilização. Embora as perspetivas sombrias da desapropriação de terra sejam uma preocupação comum na maioria dos estudos socioambientais e agrários, pouca investigação explora as formas de apropriação de terra que são de pequena escala, cumulativas e íntimas, bem como a violência lenta e quotidiana através da qual a desapropriação ocorre. Além disso, muitos estudos retratam a resistência à apropriação de terras no leste europeu como fraca ou implícita, ignorando formas mais deliberadas de mobilização. Respondendo a estas lacunas, esta tese analisa como a transição pós-socialista criou condições estruturais que permitiram o avanço da apropriação de terra. Demonstro como a crise da reprodução social no meio rural erodiu a capacidade dos agregados familiares de sustentar os seus meios de vida na terra. Estas dinâmicas, combinadas com instituições frágeis e uma rápida integração nos mercados globais, criaram um terreno fértil para a apropriação de terras. Em segundo lugar, exploro como os camponeses experienciam a desapropriação, que ocorre através de aquisições dispersas e de pequena escala ("apropriação de terras por alfinetadas"), como forma de violência lenta e íntima. As dinâmicas de poder desiguais entre camponeses, autoridades e elites económicas produzem disputas fundiárias de pequena escala e normalizam a violência extrativa, acabando por permitir apropriações de terras em grande escala. Em terceiro lugar, analiso as formas de resistência que emergiram em resposta, acompanhando como organizações camponesas e ativistas se mobilizam contra a apropriação de terras e articulam futuros agrários alternativos. O estudo dialoga com os Estudos Agrários Críticos, a Ecologia Política Feminista e a Justiça Ambiental para conceptualizar a apropriação de terras como uma forma multidimensional de violência lenta interseccional. O foco empírico recai sobre a Roménia pós-comunista, que permanece o país da União Europeia (UE) com o maior número de camponeses, apesar da apropriação de terra ter aumentado drasticamente na última década. Metodologicamente, a investigação emprega uma abordagem qualitativa e de métodos mistos, combinando revisão sistemática de literatura, entrevistas semiestruturadas, observação participante e análise de dados secundários. Dois estudos de caso empíricos na Transilvânia oferecem um olhar sobre como a apropriação de terra se materializa através de transações fundiárias incrementais e de pequena escala que se acumulam em apropriações significativas.

No conjunto, a tese contribui para uma compreensão nova e interdisciplinar da apropriação de terra como uma injustiça ambiental profundamente enraizada na crise da reprodução social, no seio da qual emergem formas insidiosas e íntimas de violência.

Palavras-chave: apropriação de terras; violência lenta; justiça ambiental; questão agrária; pós-socialismo