EcoGrief
Ecografias do Luto: Avaliando a Perda Intangível e Angústia Climática no Portugal Rural

Período
1 de setembro de 2025 a 30 de agosto de 2028
Duração
36 meses
Resumo

O projeto ECOGrief combina ecopsicologia, ecologia política e economia política, elaborando um novo índice interdisciplinar para medir os fenómenos de sofrimento e eco-luto induzidos pela degradação ambiental, baseando-se nas expressões culturais relevantes das perdas e danos intangíveis em zonas rurais do centro de Portugal, contribuindo assim para uma maior compreensão da saúde pública mental e da justiça restaurativa socioambiental, no contexto das alterações climáticas e da transição verde, eventos climáticos extremos geram perdas intangíveis do que são fundamentos ontológicos da existência humana: vida, consolo, pertença, laços e relações, cultura e conhecimento, património, identidade, familiaridade e previsibilidade, segurança, dignidade e autoestima. As comunidades sentem a Perda e Dano Intangíveis como sofrimento emocional corporizado, com alterações psicossomáticas que vão da ecoansiedade, síndromes de stresse e desespero, até à tristeza e eco-luto.

Trabalhando nas fronteiras da ecologia política e da ecopsicologia, este projeto prossegue desenvolver ferramentas analíticas interdisciplinares para medir a perda e sofrimento de origem climática-ambiental. A hipótese do ECOGrief é que evidenciar a nível local e cultural as linguagens significativas de perda intangível, dano e recuperação, lançará luz sobre a extensão e profundidade das mudanças relacionadas com o clima para uma nova teoria da justiça restaurativa socioambiental.

Resultados

EcoGrief quer revelar os limites da atual política de investigação de desastres e de justiça ambiental, dando relevo aos riscos de ignorar os efeitos psicossomáticos da perda de ecossistemas. Baseando-se em investigação interdisciplinar -  estudos climáticos existentes e na Ecologia Política feminista/emocional - projeto expande as ferramentas psicométricas existentes para construir um índice analítico inovador para uma melhor compreensão do sofrimento corporal induzido pelo ambiente em Portugal.
Baseando-se em investigação interdisciplinar qualitativa e quantitativa, proporá uma nova grelha analítica para compreender o sofrimento climático e o eco-luto em Portugal. Institucionalmente, o projeto procura enriquecer o conjunto de ferramentas ao dispor de investigadores e agentes que trabalham com clima e justiça ambiental, acrescentando-lhe diretrizes para o uso potencial de uma psicometria interdisciplinar em estudos de impacto socioambiental no quadro das alterações climáticas, bem como na educação cívica sobre emoções climáticas e com vista a promover uma transição verde justa. A escala a propor, baseada em estudos internacionais de alta qualidade existentes, será refinada após as entrevistas qualitativas de forma a medir o sofrimento climático em Portugal, com o objetivo de torná-la numa ferramenta válida de monitorização social para comunidades afligidas, autoridades locais, investigadores de saúde pública, indústria.

Em termos de divulgação pública, as atividades do projeto ajudarão a Investigadora Principal a traduzir o trabalho académico para um público mais vasto, estabelecer um diálogo construtivo entre academia e diversos agentes públicos para melhorar a compreensão das alterações climáticas enquanto risco de saúde pública mental e respetivos mecanismos de recuperação, reparação e bem-estar, e desenvolver recursos culturais e educativos para melhorar o histórico de empatia face às múltiplas formas de perda não-comensurável e insubstituível associadas às alterações climáticas.

Publicações:

Velicu, I., Piccardi, E. G., Delibas, H. I., & Ogrezeanu, A. (2026). Rural Eco-Grief: Insights from Portugal and Romania. Emotion, Space and Society, 58, 101152, https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S175545862600006X 

Investigadoras/es
Eleonora Gea Piccardi
Irina Velicu (coord)
José Manuel Mendes
Marcus Guy Erridge
Rita Serra
Tiago Pires Marques
Consultoras/es
Marien González Hidalgo
Rafaela Lopes
Rui Cortes