ECOSOC - Oficina de Ecologia e Sociedade

Oficina

COP30 na Amazónia: Neologismos Verdes e Colonialidade Persistente

6 de fevereiro de 2026, 14h00

Sala 1, CES | Alta

No final de 2025, a COP30 reuniu, em Belém do Pará, como é tradicional, líderes políticos, organizações internacionais, empresas e movimentos sociais para debater e buscar soluções para as alterações climáticas. Esta edição teve um caráter particularmente simbólico ao ser realizada na Amazônia — um dos territórios mais afetados pelas mudanças climáticas e, simultaneamente, um dos que concentram maior potencial de soluções e alternativas.

A partir de uma abordagem decolonial, esta oficina propõe um balanço e uma análise crítica dos resultados finais da COP30, com especial atenção às fragilidades epistemológicas, políticas e práticas das soluções que se baseiam prioritariamente em mecanismos financeiros. Discutiremos de que modo os neologismos ambientais contribuem para a reprodução da colonialidade do poder, do saber e da natureza, sobretudo na relação com os povos da floresta — povos indígenas e comunidades tradicionais — e como tais soluções não substituem o papel do Estado na garantia de direitos fundamentais. Assim, propõe-se uma reflexão crítica sobre alternativas ancoradas em direitos, justiça ambiental e fortalecimento do Estado, em contraposição às soluções financeiras apresentadas como “mágicas”.


Oradoras

Lygia Zamali Fernandes | Formada em Serviço Social e Gestão de Projetos, com pós-graduação em Economia Social pela FEUC, é atualmente doutoranda em Pós-Colonialismos e Cidadania Global na Universidade de Coimbra. Natural de Santarém do Pará, trabalhou no desenvolvimento de projetos comunitários voltados à inclusão socioprodutiva, à proteção de crianças e adolescentes de povos e comunidades tradicionais e ao aprimoramento de políticas públicas de proteção social no âmbito da Política Nacional de Assistência Social, com foco em Segurança Alimentar e Economia Solidária, no Parque Nacional do Tapajós, Amazônia, Brasil. Sua pesquisa investiga a relação entre extrativismo e financeirização da Amazônia, articulando-a às noções de identidade e participação cidadã em comunidades tradicionais da Floresta do Tapajós.

Bartira Fortes | Antropóloga, artista e cantora, é doutoranda em Estudos Ambientais na Södertörn University (Estocolmo), no Departamento de Meio Ambiente, Desenvolvimento e Estudos da Sustentabilidade. Sua pesquisa centra-se nas territorialidades indígenas no Brasil, analisando como os povos indígenas enfrentam e respondem a desafios globais contemporâneos, como a crise climática, a governança ambiental e as (in)justiças socioambientais. Em particular, investiga os modos pelos quais comunidades indígenas expandem seus territórios ao afirmar agência em esferas institucionais, culturais e virtuais, abrangendo a participação política, a produção de conhecimento acadêmico, a arte contemporânea, o cinema e o ativismo digital.

Lene Munduruku | Licenciada em Pedagogia e Mestra em Educação pela UNICAMP, onde integrou o coletivo Acadêmicas Indígenas Uirapuru e desenvolveu pesquisa sobre as vivências de estudantes indígenas. É atualmente doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Integra o Grupo de Estudos Indígenas no Ensino Superior (FE e IFCH-UNICAMP) e o Centro de Antropologia de Processos Educativos (CEAPE-FE-UNICAMP). Atualmente participa do Programa Guatá do Campus France (Brasil–França), com atividades na Université Paris-Est Créteil e na Université Paris 8.


Comentador

Jonas Van Vossole | Sociólogo, economista e doutor em Ciência Política, é investigador no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde co-coordena o grupo de investigação em Ecologia Política (ECOSOC). Integra a equipa coordenadora do projeto FCT EJMAPPING sobre conflitos ambientais, a rede COST Action SHIFT sobre Humanidades e Alterações Climáticas e o Observatório do Trabalho e das Condições de Vida, além de ter colaborado com o projeto Just2CE, financiado pelo programa Horizonte 2020. É professor convidado em cursos de licenciatura e doutoramento na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, lecionando sobre Capitalismo, Ecologia Política e Democracia. Suas pesquisas atuais concentram-se em teoria crítica, teoria democrática, eco-marxismo e transição verde.


Moderador

Jessemusse Cacinda | Doutorando em Pós-Colonialismos e Cidadania Global na Universidade de Coimbra, estudou Filosofia e Sociologia em Moçambique. Atuou como jornalista, editor, gestor de projetos, professor e pesquisador. Como jornalista, foi vencedor do Prémio Qualidade da Rádio Moçambique nas categorias de Melhor Crónica (2013) e Melhor Reportagem Temática (2024).


Evento no âmbito da ECOSOC - Oficina de Ecologia e Sociedade (CES-UC)